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eternal sunshine

Invocation Of Self

(parte do texto foi escrito ainda em Dezembro de 2017)

na iminência do dia a dia, as palavras hoje surgem-me como ondas em tempestade de aviso vermelho. difíceis de organizar e colocar no seu lugar.

é aquela altura do ano da retrospectiva, certo? em que olhamos para trás e para a frente, e nem sempre conseguimos compreender como chegamos ao dia de hoje, sentados na cadeira, numa qualquer secretária a ouvir essa tempestade de palavras que também calha a ser tempestade de águas fortes.

na invocação de mim própria tento analisar e ordenar o pensamento. quando tudo muda, e está sempre a mudar em curto espaço de tempo, a capacidade de análise é parca, e acaba por culminar num esgotamento de pensamentos e soluções. cansa-nos o corpo, mas essencialmente a cabeça.

nesta invocação de mim própria tento, na confusão das palavras, separar o + do -, que, tal como nas baterias, me oferecem energia de maneiras diferentes, e nessa separação tentar criar o gráfico que me fala e traduz o balanço do ano, sem segundas interpretações.

posso dizer que este ano trouxe muito +, muita energia catalisadora positiva. um ano de mudanças e adaptações mais do que o seu anterior. um ano de dicionário novo. sabiam que purisca é uma beata de cigarro em Braguês? e que se pedirem iscas em Braga, elas são de bacalhau, ao invés de fígado?

verdade. verdade e surpresa para quem não habita nesta coordenada geográfica.

também é verdade que em Braga enquanto o frio do inverno te quebra os ossos com a sua força, o calor das suas pessoas age como lareira em brasas de verão.

para além disto, há todo um dicionário de coisas novas que aprendi nesta que foi a primeira das mudanças. aprendi que apesar de a distancia física que me separa das minhas origens serem 400km, há tantas e outras coisas de carácter ás vezes trágico, ora às vezes cómico e até doce, que nos distinguem em número maior.

arranco assim com o vocabulário novo que aprendi, e as suas curiosidades, que entram na categoria catalisadora positiva;

  • vou ligar com ao invés de vou ligar ao
  • dar ao filete e/ou das tuas de treta ao invés de conversar com as/os amigas/os
  • estrugido ao invés de refogado
  • laparoto ao invés de comilão
  • sargaço ao invés de algas
  • a clássica sapatilhas versus ténis
  • e cordões ao invés de atacadores
  • não dei fé ao invés de não me apercebi
  • um mil folhas aqui chama-se Napoleão
  • bolinhos de bacalhau, e não pasteis de bacalhau
  • não há bicas nem imperiais, há cafés e finos
  • morcões, pois é… são larvas

ainda dentro desta categoria podemos enquadrar algumas iguarias gastronómicas, bem como a sua dimensão no prato, que se distinguem e bem, das que nos oferece a capital onde nasci;

e são elas

  • papas de sarrabulho, logo de chapa em número um por toda a gorduchice que implica, desde as carnes em papa saborosa, aos rojões, ao sangue cozido, à tripa frita, à batata frita. que mais se pode pedir num dia invernoso de 0 graus para aquecer o corpo e alma?
  • as farturas, oh sim as farturas. meninos e meninas do sul, se acham que as farturas do Santo António são super incríveis, têm de dar um salto ao norte e perceber o que é uma fartura. o que é comer um saco de 6 farturas seguidas, sem ficar com óleo a escorrer pelos dedos e nauseadas ao fim da primeira. tenho dito.
  • pataniscas de bacalhau é basicamente repetir o paragrafo anterior. uma vez comidas em Braga, jamais se conseguem comer na capital.

falando agora da outra energia, a que traz o sour to the sweet… não podemos esquecer a chuva, que apesar de ser espetacular em boa dose, especialmente ao domingo à noite, debaixo da manta (e da qual precisamos) mas que quando é incessante, diária, semanal, mensal, cansa a quem está habituada a 300 dias de sol de verão, inverno, ou outro dia qualquer;

a sensação de que ao sair da nossa cidade deixamos de existir para essa cidade e a maioria das suas pessoas, numa era em que a tecnologia já nos permite o contrário, a uma proximidade sem estarmos no mesmo local;

o mar. o mar à distância de uma janela. respira-lo todos os dias e sentir a sua calma e revolta sem pensar muito nisso. a sua areia quente no verão, a sua água envolvente para ir a banhos.

em boa verdade este texto começou a ser escrito ainda 2017 via os seus dias a terminar. três meses passaram, e muita água rolou, da chuva e do mar. a balança está em bom equilíbrio, e é assim que se quer. seja a norte, seja a sul, seja o campo e as altas árvores em troca do mar, seja o estrugido em troca do refugado, e as viagens de fugida àquela que em tempos foi a minha casa.

a balança está equilibrada, e acima de tudo no caminho certo.

bem adentro de 2018, quero que as descobertas continuem, que as diferenças não acabem de aparecer de surpresa, para que possa aprender, descobrir, rir, chorar, amar, e viver em harmonia.

Heaven or Las Vegas? Am I Right?

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