Junho com Maya Angelou

Posted on 05 Jun, 2019 by rita prata

Falar sobre Maya Angelou dava para um site inteiro, ou dias a fio de conversa. Uma mulher que inspirou no seu tempo e continua a inspirar mesmo que já não esteja entre nós, pelo seu exemplo, e acima de tudo pela sua superação, sempre de sorriso rasgado e amor no rosto, e uma doçura na sua voz.

Com a chancela da Antígona, Sei Porque Canta o Pássaro na Gaiola é uma das primeiras tranches da sua enriquecedora biografia. E foi por essa primeira tranche que comecei.

Maya Angelou – Sei Porque Canta o Pássaro na Gaiola

A sua poesia já me encantava e em momentos me deu força e inspiração. Mas o relato directo de Maya neste livro transcende o que eu esperava, ou imaginava que sabia.

Ao ler, tive a sensação de que era a criança de 8 anos, Maya, a escrever no seu diário, ou a falar directamente comigo, tudo que estava a acontecer com ela. O desprezo e a crueldade dos brancos, a segregação brutal e cruel na década de 30 e 40. A ignorância de todos para com as diferenças, se é que as havia… Não somos todos iguais?

É uma escrita e relato visceral do início ao fim. É cortante, é duro, é de leitura difícil, e não poderia ser de outra forma. Mas imagine-se, com um final de amor e esperança. Prova de vida que Maya nos deu na sua presença e no resto do seu percurso.

Deixo um apelo aos Pais, às Mães, aos Filhos, aos Professores, aos Alunos desta vida… Este livro, pela sua magnitude e importância, devia ter passado por nós todos, deverá passar por nós todos. Até pode não ser este, mas um que nos recorde que os erros da história facilmente se repetem.

Estamos a viver tempos perigosos, a repetir erros do passado, ainda que às vezes pareça que é de mansinho, mas cada vez com menos vergonha. É por isso que Maya, Malcolm, Luther, Jane Elliot, são cada vez mais vozes que devemos escutar. Para que a maldade, a ignorância, o horror, não se repitam.

É também inadmissível perceber que tantos anos passaram e o racismo ainda é uma questão a resolver nas nossas sociedades, e uma não discussão porque não convém e é incómodo.

É inadmissível que passados tantos anos ainda haja o desprezo, a cultura do medo da diferença, e a falta de respeito pelas escolhas, pelas vidas, pelas identidades dos outros.

É importante ainda hoje reforçar que somos todos feitos da mesma matéria, da mesma massa. E que todos pensamos de forma diferente. E que todos queremos coisas diferentes para as nossas vidas. Que todos somos merecedores de oportunidades, e que tudo isso, e todos nós, devemos ser respeitados. No Matter What.  

É também importante que a cor da nossa pele, que a nossa religião ou a falta dela, que as nossas opções de vida, políticas, profissionais, amorosas, ou de género, não sofram pelas mãos de uma cultura de segregação ⛔

Que sejamos livres para viver, foi a mensagem que Maya me deixou. 

Este fica para sempre na minha estante e na minha memória 💛

Maya Angelou I Still Rise

2 Comments

  • Daniela Guimarães 05 Jun, 2019 at 11:19 pm

    Não diria melhor. Li este ano e posso afirmar, sem duvidas, que se tornou num livro da vida. É um retrato, simultaneamente, cru e terno que oferece momentos inesquecíveis. Nunca me esquecerei da passagem em que a avó de Maya reage, estoicamente, ao assédio moral que umas pirralhas brancas lhe fazem. Uma cena poderosíssima que acabou por traçar o tom do próprio livro. Maya era uma menina extremamente corajosa e forte que, passando pelos maiores traumas, perseverou! Sublime.

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    • rita prata 06 Jun, 2019 at 10:54 am

      Sublime, mesmo. Uma menina que se tornou rapidamente numa mulher que inspirou e continua a inspirar gerações. Por mais Mulheres assim 🖤
      Obrigada pelo teu contributo querida Daniela 😘

      Reply

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