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Quantos Likes gostas de mim?

Sim, leste bem. Quantos likes gostas de mim? É a pergunta do ano, do século, e dos anos que ainda estão para vir.

Este é um daqueles tópicos que quero falar há demasiado tempo, mas cuja forma de o abordar ainda não tinha definido e acabou por ir ficando para trás.

Para além disso, sendo consultora digital, sei que pode soar a estranho o que vou dizer, e que talvez vá ser crucificada por colegas de profissão. Mas, se já me segues sabes que defendo um uso responsável das redes sociais, especialmente se o uso que fazes for pessoal.

No meu dia a dia, ao falar com amigos, familiares, conhecidos, vou-me apercebendo de como o uso do Instagram, Facebook, e não só, a nível pessoal se está a tornar possessivo e obsessivo. Estudos têm saído a rodos com provas de que se não começamos a usar estas plataformas de forma saudável podemos começar a sofrer (ou aumentar se já tivermos) de ansiedade por comparação, ou por falta de gostos e seguidores. Com isto, questionar a nossa auto estima, e viver na validação de números vazios.

Fala-se muito do FOMO, que já abordei no meu perfil de Instagram. Fear Of Missing Out, que em Português não é nada mais do que o medo de perder o que se passa online, e estar constantemente ligado para garantir que isso não aconteça.

Deixamos então de viver o presente para estarmos constantemente à procura do que os outros fazem, se reparam em nós, se nos validam virtualmente. Se os gostos/likes que nos dão são o resultado de uma equação de carinho + amor e preocupação.

Os estudos que comprovam a forma como estes comportamentos pouco saudáveis no uso das redes sociais podem afetar a nossa ansiedade, auto-estima, estados depressivos, são para ter em conta, especialmente se formos jovens, pais com filhos pequenos, sensíveis por natureza e com baixa autoestima.

E eu, enquanto profissional que defende o uso do Marketing Digital para negócios e para quem tem objetivos definidos, e partilho formas e estratégias para que isso aconteça, sinto também que é minha responsabilidade falar quando sei que há formas saudáveis de lidarmos com o digital, sem que isso nos destrua por dentro.

Recebo mensagens de jovens com idades abaixo dos 18 anos, abaixo dos 15, abaixo dos 12… A pedir ajuda para fazer crescer a sua rede de seguidores, para poder ter mais gostos, para preencherem um vazio que ainda não sabem que só vai aumentar.

Sem querer dramatizar, mas dramatizando um bocadinho, como tudo na vida, as coisas trazem-nos o bom e o mau. Tentem sempre gerir a forma como usam, como olham, e como sentem o que vêm quando pegam no vosso telefone, pois nem tudo é verdade, ou nem tudo é uma verdade, e jamais deve servir de comparação para as nossas vidas, especialmente se for para nos sentirmos mal, tristes, ou inferiores.

Volto a repetir… 20k seguidores não significam amor, carinho ou afecto, nem mesmo a falta dele. São um números. Os 2000 gostos que vês numa foto não significam que gostam mais ou menos daquela pessoa, e que deves lutar por essa validação pessoal. Pois de validação tem muito pouco.

Foca-te no que importa, pois nem tudo o que vemos online é verdadeiro e real. Na maioria das vezes é marketing, e o marketing é muita coisa…

 

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Comments

2 Comments

  • Olá!
    Acho que um dos fatores mais importantes nas redes sociais é a sensação de proximidade que se estabelece com os influencers/ criadores de conteúdo. No fundo são canais de publicidade “mascarados” de vizinho do lado, não existe aquela distância que se sente (ou sentia) em relação às celebridades tradicionais.
    Como temos a percepção de termos acesso a todo o universo de uma pessoa, este distanciamento redes sociais vs vida privada (e a realidade da vida de alguém) é cada vez percebido como menor.
    No fundo, este acesso (condicionado) é o que faz vender mas não está devidamente regulado ou aparente. Cada vez mais a publicidade utiliza conteúdo que pretende mexer com os nossos sentimentos e, pessoalmente, faz-me uma espécie do caraças!
    Gostei muito do texto, apesar de ter muuito pano para mangas, forro e por aí fora.
    Beijinhos

    • rita prata

      Olá Ana, obrigada pela tua resposta e feedback tão positivo. E acima de tudo pela continuação da reflexão.
      Passa muito por aí, por esse sensação de proximidade, e nas camadas mais jovens também pela sensação de querer viver uma vida igual ao que vêm nessas contas. Talvez por trabalhar como criadora de conteúdo e na área de marketing tenha essa maior consciência do que é real e não é, ainda assim não te vou mentir, também me afeta algumas vezes pois somos todos humanos. Tento sempre que as pessoas com quem trabalho usem a sua voz de uma maneira responsável, sem grandes ficções. Mas nem toda a industria funciona assim e a nova publicidade são sem dúvida as influencers, tanto que há legislação a ser criada para as questões de publicidade… Há também outros que vivem do Instagram como afiliados, e nós nem nos apercebemos. Somos bombardeados por estilos de vida, produtos, viagens, etc, que temos que ter para ‘sermos felizes’. Se não tivermos capacidade de abstração forte, aquilo que é uma bonita comunidade (porque há coisas boas nas redes sociais e não nos podemos esquecer delas), pode dar cabo de nós emocionalmente.
      Obrigada mais uma vez 🙂 Espero que voltes!

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Rita Prata

Lisboeta de Gema, Minhota de adoção.

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