Quem Ama Lynch?

Posted on 24 Mai, 2019 by rita prata

Onde estavas em 1990? Já andavas por cá? Ou ainda por aparecer? 🧐

Eu já cá andava, novinha mas já metia o nariz onde não devia, e com isto de narizes lembro-me bem do genérico de uma série que me fazia arrepios e colar a cabeça no ecrã da televisão, ainda que sem autorização superior 🤫 Apesar de este universo que me cativava ser ainda muito complexo para uma miúda de 6/7 anos, todo este imaginário ficou na minha memória e acompanhou-me sempre, até aos dias de hoje.

Uns anos mais tarde, uma década talvez, revisitei a série em adolescente, vi o filme, li o Diário dessa mítica personagem Laura Palmer. A série era Twin Peaks, e era o pináculo do génio de David Lynch e Mark Frost, já naquela altura e ainda nos dias de hoje 🖤

🍃 Vi e revi, e voltei a ver aquela que foi, e é, uma das séries que mais me marcou em muitos aspectos. Que me fez refletir sobre a brutal natureza humana e a sua incrível complexidade, sobre as nossas variações internas, sobre o real e o sonho. O que é o sonho? O que é real? Fez-me admirar Lynch, enquanto mágico da tela de cinema e de televisão e da arte de contar histórias como se fossem as nossas.

↳ Em 2017, e de forma inesperada, o mundo improvável de Twin Peaks voltou a ocupar o meu ecrã de televisão e o meu intelecto. Povoou a minha cabeça com muitas perguntas, encheu-me de emoções fortes, choque e muitas surpresas. Mas deixou também muitas respostas por dar… Mas sendo assim a vida, não se poderia esperar nada de diferente, especialmente desta dupla Lynch e Frost.

🧐 Ao vasculhar o meu antigo blog (sim, há vida antes deste, muita vida 😊) reencontrei a minha despedida a David Lynch e Mark Frost em Twin Peaks e deu-me aquela nostalgia básica…

Por coincidência no mesmo dia ouvi esta música… 🖤

Conhecem? 🎧

Fez-me pegar novamente num dos livros que compõem este imaginário e que curiosamente foi (tenho quase a certeza) o primeiro livro que comprei quando nos mudamos para esta casa em Braga. O livro que figura a nossa mesinha de apoio na sala, de tão importante que é, pelo que relata, pelo que mostra, pelo que nos faz sonhar, e por ter sido o primeiro aqui.

A História Secreta de Twin Peaks , por Mark Frost e chancela da Suma de Letras, é um desenvolvimento mais profundo de todos os mistérios e todas as teorias que poderíamos almejar… É a continuidade do sonho, das questões das dúvidas e das suposições.

Podia muito bem relatar um mistério real. E será que é real? Não sei, sei que tudo é possível neste contexto que gosto de chamar Lynchiano. Sei também que tenho saudades de morte da série, das suas personagens, da magia, do sonho e do pesadelo, da inocência e do pecado. Do equilíbrio e desequilíbrio da vida retratado na televisão.

Este comprei-o na Bertrand aqui ao pé de casa. Se o quiserem adquirir basta clicarem aqui. Prometo-vos que é verdadeiramente mágico, tão mágico quanto tudo o resto ✨

☝🏼 E sem me ir embora, partilho ainda a minha despedida a Twin Peaks, que está no meu antigo blog, mas que merece lugar aqui também ⤵

Espero que gostem 😊

O sonho continua (ou a vida que Lynch e Frost deixaram).

Segunda-Feira, desde há umas semanas que se tinha tornado num dia especial. Por momentos já não era o dia de início da semana, que marcava o arranque de trabalho no calendário, mas sim um novo capitulo naquela que, seguramente e sem sombra para dúvidas, foi e é, a narrativa mais fascinante que a televisão e o cinema tiveram oportunidade de transmitir. Isto durante 18 saborosas semanas, as Segundas-Feiras tiveram um carinho especial, acompanhadas de um misto de ansiedade e nervoso miúdo, que de repente, acabou.

Twin Peaks. Twin Peaks tinha regressado e com ela a revolução do espetáculo televisivo e das nossas mentes perpetuava-se a cada episódio. A imaginação desenhada de contornos e cores negras e mágicas, vestida de inocência e de (muito) pecado, regressou 25 anos depois para, acreditaram muitos, nos dar respostas. Não. Claro que não. Lynch não dá respostas. Oferece perguntas. E Frost dá pistas. Mas respostas? Respostas não. Questões, dúvidas, sonhos, muitos sonhos, ou seriam pesadelos? Sim, pesadelos daqueles que revivemos na procura de… Respostas, cenários inimagináveis, sonhos dentro de sonhos, personagens que se multiplicam. É um circulo. É infinito, e não tem fim. Foi essa a resposta. Foi esse o pesadelo.

Não vou aqui debitar as minhas ideias, conjunturas, ou resoluções para o que aconteceu neste ciclo de tantos anos, nesta aventura de Dale Cooper, Laura Palmer e tantos outros. Não vou tentar adivinhar quem estaria a sonhar, pois acredito que o sonho é nosso, o espetador. Eu sonhei. E acredito que sonhei o sonho de Lynch. Pois é assim que é, e é assim que terá de ser. E no sonho não há verdades absolutas, há viagens, há momentos, e a linha que nos leva à realidade é por vezes tão ténue que não nos deixa perceber quando a realidade começa e o sonho, ou pesadelo, acaba.

Com tudo isto muitas foram as teorias a rolar após o final (será o final?) de Twin Peaks, e são todas deliciosas, e todas fazem sentido, pois todas são o sonho de cada um de nós.

Aqui fica apenas a nota de que, para mim, Twin Peaks não termina nunca. É um sonho e um pesadelo, daqueles que vamos reviver sempre que o coração aperte com saudade, sempre que a dúvida nos aparecer.

Por agora, e porque não só de personagens viveu a série, a música que a acompanhou também compôs toda a cena, desde o primeiro episódio até ao seu fim, deixo-me levar pelas mãos de Johnny Jewel, que tanta cor deu a estes últimos capítulos, antes que esta Segunda-Feira perca o seu encanto e se esgote apenas na saudade.

                                                                                                                                                     🖤

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